Descubra o universo do Chef Valdir Ramos, o criador do menu do Dans le Noir? Lisboa! Com mais de 20 anos de experiência nas cozinhas do Sheraton em todo o mundo, ele partilha a sua paixão pela gastronomia, as suas inspirações e o desafio único de criar um menu para uma experiência culinária imersiva no escuro.

Pode apresentar-se brevemente?

Sou brasileiro e trabalho no Sheraton há mais de 20 anos. Comecei como estagiário de cozinha e, ao longo dos anos, tive a oportunidade de trabalhar em diferentes cidades e países, desenvolvendo a minha experiência culinária.

Qual é a sua formação culinária?

Estudei na Escola de Culinária Senac, uma das instituições mais prestigiadas do Brasil. É altamente valorizada na indústria hoteleira e é uma referência para os melhores hotéis.

Qual é o seu tipo de cozinha favorito?

A gastronomia brasileira devido à sua rica diversidade de ingredientes, técnicas e sabores. No entanto, ainda não ganhou o mesmo reconhecimento internacional que a cozinha francesa, considerada a base da gastronomia, ou a cozinha italiana, conhecida pelo seu apelo reconfortante.

Como descreveria o seu estilo culinário?

Acredito numa abordagem versátil, onde exploro todas as possibilidades. Respeitar os ingredientes e os seus sabores naturais é essencial. O meu objetivo é valorizar os ingredientes, acrescentando um toque único para surpreender o paladar.

Quais os chefs que o inspiram?

Dois chefs influenciaram fortemente a minha carreira:

Ferran Adrià, que introduziu a gastronomia experimental utilizando a física e a química para criar pratos inovadores.

Alex Atala, um chef brasileiro que elevou os ingredientes locais a um nível internacional, promovendo a riqueza da cozinha brasileira.

Acredito que devemos continuar a valorizar os produtos locais.

Como vê o desafio de criar um menu para o dans le noir? Lisboa?

Desde o início, fiquei fascinado pelo conceito. Hoje em dia, muitas pessoas concentram-se apenas em restaurantes bonitos, esquecendo a essência da refeição: partilhar momentos, experimentar texturas e sabores.

Elaborar um menu para o Dans le Noir? Lisboa foi um grande desafio porque, sem a visão, o paladar tem de ser ainda mais refinado. Os pratos não só devem ser deliciosos, mas também equilibrados e surpreendentes. Adoro este conceito e acredito que realmente reconecta as pessoas.

Como lida com as restrições alimentares dos clientes?

As intolerâncias e alergias alimentares são cada vez mais comuns. O nosso objetivo tem sido criar um menu alternativo que seja tão saboroso quanto o principal, respeitando os ingredientes e garantindo que todos os clientes possam gostar plenamente desta experiência sensorial.

Qual é a sua melhor memória culinária?

As minhas melhores memórias vêm dos pratos preparados pelos meus avós:

A minha avó materna costumava fazer um doce de banana inesquecível. Até hoje, nunca comi nada igual.

O meu avô paterno costumava preparar um 'bife na frigideira' cozinhado com um toque de Cointreau. A textura da carne e o sabor eram simplesmente perfeitos.

São sabores que marcaram a minha infância e que nunca consegui reproduzir da mesma forma.

Do que se orgulha mais na sua carreira?

Do impacto que tive nas pessoas com quem trabalhei. Partilhar conhecimento, motivar e transmitir os valores da gastronomia são coisas que me fazem sentir realizado.

Acredito que quando nos orgulhamos do nosso trabalho, percebemos que a experiência dos nossos clientes depende diretamente do nosso empenho. Tive pessoas que acreditaram em mim ao longo do caminho, e agora quero retribuir essa confiança ajudando outras pessoas a crescer.

Qual é o seu ingrediente favorito?

O coco. Pode ser usado em entradas, pratos principais e sobremesas. É um ingrediente completo e extremamente versátil.

Finalmente, o que significa para si o conceito dans le noir?

Para mim, é a melhor experiência que alguém pode ter. O conceito é simples, mas alcançar essa simplicidade perfeitamente é um grande desafio. O mais importante é que reconecta as pessoas através dos sentidos e do prazer de comer.

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